Mais uma
vez passo a noite acordado… entre a enorme confusão que me rodeia e os meus
problemas pessoais (que sobreviveram a este evento global) os meus níveis de insegurança
estão estratosféricos… mas não tenho como parar para pensar… pelos vistos toda
a gente deu em confiar em mim e depois não posso deixar acontecer nada a N. e a
Z. …
Mia dá-me
marradinhas e Tex vem atrás dela com o ar chorão do costume…
- Pois
e vocês os dois… querem comida? Lá vamos nós… - sem conseguir acelerar ou ter
tempo paciência para ler só estes dois para me darem alguma tranquilidade…
Organizo
as coisas – X. está a revelar-se uma boa líder quando eu pensava que era só uma
boa formiguinha, fica a liderar o espaço… é preciso reforçar as vedações e
começar a pensar em plantar bens alimentares… N. vai comigo em mais uma
aventura de falta de juízo… Z. também faz questão de ir (para desagrado de N. … só eu…)
Aproximamo-nos
cautelosamente do hospital… entramos e fazemos uma verificação rápida do espaço
(apesar do cheiro insuportável…)… dirigimo-nos para as traseiras… nem sinal dos
dois orbes de vigilância…
Aquilo
que vou fazer é provavelmente uma péssima ideia mas até agora tenho tido sorte
e é essencial perceber o que é que afinal se passou e para onde foi toda a
gente…
- Não
estás a pensar fazer aquilo que eu acho? – questiona N. manifestamente
desconfortável…
- Que
ideia… alguma vez eu iria tentar pôr um veículo alienígena a funcionar… -
ironizo…
- Para
onde fores vou contigo… vê se não nos matas… - resmunga N.
- Vocês
não estão bons… sabem lá o que pode acontecer … - suspira Z.
Olho
para ela…
- Smile to give me luck… - arrisco…
N.
quase me dá um tiro… Z. sorri…
- Isto
é como no cinema – os bons conseguem sempre… - amenizo…
- Não
sei se já viste mas isto é a vida real… e na vida real os bons dão-se mal… - N.
está nervosa mas sinto que me seguirá para qualquer lado…
Olho
para as duas consolas (um neanthertal devia sentir-se exactamente assim a olhar
para um computador…)… não há botões nem teclas nem écrans… apenas uns desenhos
ao longo da consola…
Z.
aperta-me o braço e sorri …
–
confio em ti… - diz baixinho…
Passo a
mão por cima de um dos símbolos e um holograma azul eleva-se da consola… parece
um mapa…
Experimento
outro símbolo e a parte de trás da nave ilumina-se… (Tomo nota mentalmente que
tenho de jogar no euromilhões… depois lembro-me que os jogos não estão a
funcionar… azar o meu…)
Parece
um écran com vista para um espaço aberto… pela luz ou está a anoitecer ou a
amanhecer do outro lado…
Ok
agora a parte arriscada… passar para o outro lado (seja lá onde for)… que riscos
existem? Será o ar respirável? O que vamos encontrar do outro lado?
- Vais
arriscar? – pergunta Z. com os olhos assustados e sem o sorriso que a
caracteriza…
- Arriscar
eu até não arriscava… mas parece que não tenho escolha… - resmungo…
A medo
toco com um dedo no espaço agora iluminado… só um ligeiro formigueiro… parece
uma porta simples…
- Vou
passar a cabeça… se me acontecer algo puxem-me… - peço…
Fecho
os olhos (isto tinha de me acontecer a mim…) e atravesso… o mesmo formigueiro…
o ar? Respirável… estou numa espécie de clareira… as árvores são de uma espécie
que não consigo identificar (mas nunca o soube fazer mesmo…)… ao fundo um rio…
no céu três estrelas pequenas e afastadas e acima delas uma pouco maior que o
Sol… está fresco mas não muito…o tom azulado do solo chama-me a atenção…
Viro-me
e vejo uma espécie de abrigo metálico com uma consola ao lado…
N. já
está ao meu lado… Z. mais receosa atravessa também…
-
Deviam ficar… não sabemos o que nos espera…
- Não
te deixo sozinho – sopra Z.
- Se
quiseres ficar sozinho com a tua amiga estás à vontade – reclama N.
N. e Z.
fuzilam-se com os olhares…
Aiii…
de súbito um movimento nas árvores chama-me a atenção (um golpe de sorte que me
tira de uma situação delicada que vou ter de resolver…)
Um ser
que só não é humano pelo tom azul claro da pele e pela a cabeça mais ovalada
sai a medo das árvores e faz um sinal com as mãos…
Isto é
complicado… não sei o que seja ou o que queira mas vou ter de arriscar… mostro
a palma da pão e faço um sinal que pretende dizer que vimos em paz…
Aproxima-se
e devagar retira um objecto metálico circular do cinto…
- Achas
que é uma arma? – pergunta N.
- Não
faço a mínima… - respondo – ainda não sou versado em tecnologia extraterrestre…
presumo que nos quisesse fizer mal o teria feito sem que déssemos por isso… -
alvitro…
Faz uns
sons para a máquina e esta reproduz o que disse …
- Sou Zhor
de Kwayk… vocês devem ser humanos da Terra…
Comentários
Enviar um comentário